Empowering bodies | Episode 4 ft Inês Serôdio

by - abril 18, 2018

 Empowering

Todas nós em alguma altura da vida já nos achamos demasiado gordas ou demasiado magras.

A sociedade insiste em ditar padrões de beleza inalcançáveis. Em adolescente comecei a achar que tinha peso a mais, que tinha de ser mais magra. Fazia coisas muitos estúpidas, como não almoçar ou comer muito pouco. Tudo vale quando queremos perder peso.
 

Durante muitos anos, praticamente toda a minha adolescência e entrada na idade de jovem adulta, encontrei defeitos no meu corpo. Parecia que quanto mais peso perdia mais precisava de perder. Nunca estava satisfeita. Outro problema era não ser só o peso, sou acompanhada de uma condição relativamente comum, escoliose, um desvio na coluna, que faz com que nem tudo no meu corpo seja simétrico, nomeadamente a minha cintura, por apresentar uma curva mais acentuada de um dos lados. Para mim era aflitivo que as pessoas reparassem nisso na praia, ou quando uso roupa mais justa.

 
Não é nada por demais evidente, simplesmente uma das minhas curvas é um pouco mais acentuada, mas pensar que os outros iam reparar, causava um desconforto muito grande. Nunca publicava fotos em bikini em que estivesse de frente para ninguém poder reparar.
Mas chegamos a um ponto da nossa vida em que simplesmente percebemos que se nos aceitarmos a nós mesmas, tudo é mais fácil. Eu comecei a perceber que queria ser mais magra, porque outras pessoas achavam que eu devia ser. Percebi que as outras pessoas nem sequer reparavam na diferença da minha cintura. A forma como nos olhamos influencia em muito a forma como os outros nos olhos e as primeiras a gostar de nós devemos ser nós mesmas. Só depois de termos uma visão positivas de nós, podemos ter uma visão positiva dos outros e do mundo.

 
Ninguém é perfeito, todos temos assimetrias, imperfeições, coisas que mudávamos, mas são essas coisas, aliadas às outras todas, que fazem de nós aquilo que somos e resta-nos pegar nisso e fazer o melhor que podemos. Só assim nos conseguimos sentir realizadas e em paz connosco. Claro que não acordamos um dia e de repente somos confiantes e aceitamos o nosso corpo, é todo um processo e é um processo longo e lento e é preciso força de vontade.

 

É preciso querer aceitar o próprio corpo. Eu tive de perceber que se eu aceitasse a forma como sou ia ser mais feliz e, a partir desse dia tive de me esforçar para aceitar cada parte de mim que considero imperfeita. Uma de cada vez. Ainda hoje há coisas que aceito menos bem, algumas que não aceito.

 
Não considero que já tenha chegado ao ponto em que me aceito plenamente, mas sinto que estou a caminhar para lá. É necessário relembrar-me todos os dias de que quero muito aceitar-me. Há dias em que me sinto plena como sou, outros em que nem tanto, mas é preciso não desistir. 



 


 



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6 comentários

  1. Adorei o post e tudo o que dizes e sobre o qual refletes é bem verdade!!

    Novo post: http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2018/04/ootd-75-classic-look.html

    Beijinhos ♥

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  2. Encontrei neste texto uma identidade com a qual me identifico. Ninguém é perfeito, não se pode esperar a perfeição, mas a aceitação pode demorar algum tempo. Parabéns pela partilha de um conteúdo tão pessoal :)

    Miss DeBlogger | missdeblogger.blogspot.pt

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  3. Compreendo-te completamente no que toca à escoliose. Também tenho uma, o que faz com que a minha barriga pareça mais saliente do que é!
    Também sempre senti imenso essa pressão! Como se ser mais magra fosse obrigatório, como se ser magra fosse condição para teres valor.
    Essa cultura é ridícula!

    Claudia - Mulher XL - www.mulherxl.pt

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  4. Ninguém é perfeito, e cada um de nós tem as suas características que nos tornam únicos. Infelizmente sofro do mesmo, mas em vez de ter uma curvatura a minha coluna tem duas, sofro de dupla escoliose, e custa tanto, para além da questão estética tem a questão da saúde e isso é o que mais me preocupa sinceramente!
    Mas temos de nos aceitar como somos e melhorar os aspetos negativos, não aqueles que apenas pensamos que não estão bem.
    Já sigo o blog, adorei.

    Beijinhos,
    Melissa Sousa | Fábrica de Temperos
    A MINHA VIAGEM DE SONHO - TURQUIA

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  5. Quem nunca não é verdade? Também tenho um lado da cintura mais subido que o outro, graças a uma escolioso, mas a verdade é que a maior parte das vezes, se não se disser nada a ninguém nem vão reparar :)

    Adorei o post!

    Um beijinho*

    https://healthyfoodandme.wordpress.com/

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  6. Felizmente, acho que, cada vez à mais consciência de que, cada um tem o seu corpo e isso é normal. Todos temos uma coisinha ou outra que gostamos menos mas temos de saber lidar com isso e não deixar que os outros nos rebaixem por isso! Somos todos diferentes mas todos iguais!

    p.s: Nomeei-te para uma Tag, descobre-a no meu blog.
    Beijinhos!!
    BLACK RAINBOW INSTAGRAM

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