Empowering bodies | Episode 5 ft Joana Vieira

by - maio 16, 2018

 


Empowering


Todas nós, ou pelo menos uma grande maioria, passa pela aquela fase que não gosta do que vê quando se olha ao espelho. Há aquelas em que a fase passa rapidamente e aquelas que levam a coisa ao extremo.

A fixação em tornarem-se perfeitas é de tal forma que perdem a noção do que estão a fazer a si próprias. Hoje em dia, considero-me uma rapariga bonita e inteligente. Não, não sou convencida, aprendi a gostar de mim e a valorizar-me. Aprendi que ninguém me pode inferiorizar, ninguém tem esse direito a menos que eu o permita. Acho que todas deviam pensar assim.

 

Quando era mais nova eu fui a típica rapariga que usava aparelho, óculos e tinha o cabelo super encaracolado e comprido - a verdadeira juba. Hoje em dia, um tipo de cabelo assim é considerado bonito e selvagem, enquanto que, naquela altura a história era bem diferente: usar óculos é considerado sensual; usar aparelho é banal.

 

Eu era alta e não tinha propriamente um corpo escultural. Apesar de sempre ter praticado desporto de competição, nunca senti que fosse o ideal de corpo bem definido. Ao longo desse tempo, ouvi algumas expressões proferidas por alguns energúmenos, nomeadamente: caminhos de ferro, sorriso metálico e caixa de óculos - admito que "caminhos de ferro" era aquela que me tirava do sério.

 

Não era a melhor coisa de se ouvir. Mas nada que não aguentasse. É que, enquanto a caixa de óculos ia de férias e tinha uma vida perfeitamente estável e feliz, os demais era perfeitos frustrados. Depois passei pela fase típica do “achar que estou gorda”. As dietas loucas. A procura na internet de coisas mirabolantes tais como: "Como emagrecer 5kg numa semana?"; "Perca peso sem sair de casa." e muitas mais. Certamente que sabem do que estou a falar. Sempre fui muito sensível no que diz respeito ao estômago e, mesmo sabendo disso arriscava um bocadinho até que ele decide pregar-me uma partida … internamento de quinze dias no Hospital São João. Garanto-vos que não foram as minhas férias de sonho. Até porque era pleno verão.

 

Com o passar do tempo, comecei a aperceber-me de algumas coisas que eram bem mais importantes do que a aparência. O facto de me estar a privar de algumas coisas simplesmente não fazia sentido. Com isto, não digo que agora não me preocupo, pois estaria a mentir, apenas adotei uma postura completamente diferente e mais racional. Aprendi que usar óculos é realmente sexy. Fica-me bem e eu gosto. Usar aparelho fez com que ficasse com os dentes certinhos e sem falhas. Os meus dentes são grandes e a minha cara estreita. Estou sempre a mostrar os dentes, literalmente. Consequentemente, sorrio com muita facilidade e tenho fotografias muito boas graças a isso. O meu cabelo é das melhores coisas que tenho. Comprido, encaracolado e posso esticá-lo e fazer dele o que bem me apetecer.

 

Aprendi que não posso serrar os ossos da anca. Tenho a anca larga e então? A Jeniffer Lopez e a Beyonce também têm e não é por isso que são menos bonitas. Bem pelo contrário! Tenho um pneu, impossível tirá-lo daqui. Alojou-se de uma tal forma que não o consigo expulsar do meu corpo. Tenho celulite, ao sentar-me é bastante visível, mas o meu namorado adora. As minhas sobrancelhas são completamente diferentes, então quando as arranjo é muito raro ficarem simétricas. Mas mais importante do que encontrar os meus defeitos é importante saber quais são as minhas qualidades. Os defeitos qualquer idiota consegue encontrá-los. Eu aprendi a viver com as coisas menos boas, ou melhor, que menos me agradam em mim e entre toda esta miscelânea de defeitos tenho qualidades ótimas. Que realmente adoro.

 

Joana Vieira

O Blog da Juca

www.oblogdajuca.com

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