Empowering bodies | ft. Beatriz Matos

by - junho 13, 2018

Olá, primeiro de tudo tenho de agradecer a Rita por ter lançado este "desafio" no facebook, não se trata bem de um desafio, mas para mim e com certeza para muitas meninas que se disponibilizaram para contar as suas histórias, enfrentaram de frente e como um desafio. Se querem saber, não acho que seja um desafio muito doloroso, só um bocadinho. Mas bora lá então começar.

Beatriz

A minha história com o meu corpo.

 

Eu gostava do meu corpo até aos meus 14/15 anos, mas agora vocês perguntam-se o que mudou? Se vos deixasse fotografias do meu corpo iriam-se perguntar: mas o que é que se passa contigo? Tu estás bem, tu sempre estiveste bem. Não sejas mais uma igual a tantas doidas por aí.

Quero desde já pedir desculpa se feri alguém com as palavras usadas anteriormente. Mencionei "doidas", porque existe tantas raparigas que não aceitam os seus corpos e, por isso iniciam dietas malucas, mas bem, não é disso que vou falar-vos.

Tudo começou mal quando eu tinha por volta dos 3 anos de idade. Eu caí em cima da bola de futebol, porque não sabia estar quieta e fiz asneira num dos meus seios, a queda em cima daquela bola tramou-me para o resto da minha vida. Tenho poucas recordações da minha infância, mas algumas delas são em médicos a fazer uma data de exames graças à tal queda numa bola de futebol. Dessa queda, o seio começou a nascer como se fosse a coisa mais normal do mundo. Eu, com 5 anos de idade, tinha uma mama igual a de uma miúda de 11 anos (sabem quando nos cresce um pequenino ovo? Era assim que eu estava).


Beatriz


Com o passar dos anos, fez-me começar a notar as diferenças nos sutiãs que usava, porque uma era sempre maior que a outra. Sim, eu sei que todas nós temos um seio maior que o outro, mas é devido à queda que me gerou um problema e, atualmente sofro com imensas dores que nem sei onde me colocar. O meu outro seio começou também a desenvolver-se e todo o meu corpo foi-se desenvolvendo, como normal.

Até que os meus seios se tornaram grandes demais para a minha idade aos 16 anos, quase ninguém estava assim , nem mesmo a minha irmã que me invejava por ter o corpo que tinha. Mas querem saber? Eu não desejei ter o meu corpo assim, eu não desejei, desde os meus 14 anos, passar na rua e todos os homens que se encontravam, fosse no café ou a passar por mim, fizessem olhinhos, ou até comentários desnecessários. Não, não me orgulho! Pelo contrário, sinto nojo desses comentários, sinto vergonha do meu corpo e desejava ter um corpo diferente para me sentir bem e não ter de levar com tudo isto. Infelizmente, e pensam vocês "mas já não podes mudar muito" e é verdade, não posso, mas outra verdade é que fui vítima de bullying na escola no meu 9ºano.

Não fiz as coisas que normalmente fazem, desde às dietas malucas, desde a desejarem morrer, desde a nem saírem de casa ou algo do género. Admito que tomei antidepressivos e digo-vos que era a pior sensação do mundo, exceto aqueles olhinhos e boquinhas devido ao meu corpo, pelo meu corpo ser mais avantajado que o de maioria daquela escola. Não me sentia bem, é uma pura verdade!


Beatriz



Aos poucos e poucos não consigo aceitar os meus peitos. É terrível ir a uma loja e desejar aquele sutiã, porque é giro e porque parece que nos assenta muito bem. Porém, o número só atraiçoa e faz perceber que não é bem assim, que é mais uns quantos números para cima. E isso não me deixa confortável de forma alguma Posso dar-vos um exemplo: uma vez queria comprar uma parte de cima de um bikini para poder ir à praia e piscina, porque não tinha qualquer parte (aliás todos os anos tenho de comprar um bikini por causa das mamas, o que é entristecedor) e assustei-me com o número, pois era o maior que eles tinham em exposição e o único que me servia. Não imaginam o quanto me doeu comprar aquilo.

Se desejava ter outro peito? Claro! Sei que existe solução, mas também não sei se me sentiria bastante confortável ao fazer essa operação. Posso dizer-vos que, essencialmente graças a este peso excessivo, tenho a minha coluna numa desgraça, derivado de outras coisas. É muito desconfortável o facto de, a maioria dos rapazes só te olharem por uma única coisa que sobressai em ti : as mamas. Imaginam a vontade que eu tenho de expulsar esta raiva muitas vezes? Acho que sabem a que me refiro.

Portanto, e não me querendo alongar muito mais, a todas vocês uma coisa: temos de nos aceitar como somos, porque somos lindas assim, com muito ou com pouco é assim que somos e temos de levar-nos assim. Não devemos deixar-nos ir abaixo com comentários parvos, porque essas pessoas não têm qualquer direito de nos ver em baixo, só devemos demonstrar-lhes quem somos na verdade: umas guerreiras.

Um beijinho para vocês e para a rita :)

 

 


 



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2 comentários

  1. Guerreiras, sem dúvida alguma!
    Agradeço-te por teres partilhado a tua história, a verdade é que o problema é da nossa sociedade e dos seus membros que não pensam e que não aprenderam a respeitar os outros.
    Espero, muito sinceramente, que pouco a pouco as gerações se consigam educar neste e noutros tópicos...

    Um beijinho,
    MESSY GAZING

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