
Todas nós, ou pelo menos uma grande maioria, passa pela aquela fase que não gosta do que vê quando se olha ao espelho. Há aquelas em que a fase passa rapidamente e aquelas que levam a coisa ao extremo.
A fixação em tornarem-se perfeitas é de tal forma que perdem a noção do que estão a fazer a si próprias. Hoje em dia, considero-me uma rapariga bonita e inteligente. Não, não sou convencida, aprendi a gostar de mim e a valorizar-me. Aprendi que ninguém me pode inferiorizar, ninguém tem esse direito a menos que eu o permita. Acho que todas deviam pensar assim.
Quando era mais nova eu fui a típica rapariga que usava aparelho, óculos e tinha o cabelo super encaracolado e comprido - a verdadeira juba. Hoje em dia, um tipo de cabelo assim é considerado bonito e selvagem, enquanto que, naquela altura a história era bem diferente: usar óculos é considerado sensual; usar aparelho é banal.
Eu era alta e não tinha propriamente um corpo escultural. Apesar de sempre ter praticado desporto de competição, nunca senti que fosse o ideal de corpo bem definido. Ao longo desse tempo, ouvi algumas expressões proferidas por alguns energúmenos, nomeadamente: caminhos de ferro, sorriso metálico e caixa de óculos - admito que "caminhos de ferro" era aquela que me tirava do sério.
Não era a melhor coisa de se ouvir. Mas nada que não aguentasse. É que, enquanto a caixa de óculos ia de férias e tinha uma vida perfeitamente estável e feliz, os demais era perfeitos frustrados. Depois passei pela fase típica do “achar que estou gorda”. As dietas loucas. A procura na internet de coisas mirabolantes tais como: "Como emagrecer 5kg numa semana?"; "Perca peso sem sair de casa." e muitas mais. Certamente que sabem do que estou a falar. Sempre fui muito sensível no que diz respeito ao estômago e, mesmo sabendo disso arriscava um bocadinho até que ele decide pregar-me uma partida … internamento de quinze dias no Hospital São João. Garanto-vos que não foram as minhas férias de sonho. Até porque era pleno verão.
Com o passar do tempo, comecei a aperceber-me de algumas coisas que eram bem mais importantes do que a aparência. O facto de me estar a privar de algumas coisas simplesmente não fazia sentido. Com isto, não digo que agora não me preocupo, pois estaria a mentir, apenas adotei uma postura completamente diferente e mais racional. Aprendi que usar óculos é realmente sexy. Fica-me bem e eu gosto. Usar aparelho fez com que ficasse com os dentes certinhos e sem falhas. Os meus dentes são grandes e a minha cara estreita. Estou sempre a mostrar os dentes, literalmente. Consequentemente, sorrio com muita facilidade e tenho fotografias muito boas graças a isso. O meu cabelo é das melhores coisas que tenho. Comprido, encaracolado e posso esticá-lo e fazer dele o que bem me apetecer.
Aprendi que não posso serrar os ossos da anca. Tenho a anca larga e então? A Jeniffer Lopez e a Beyonce também têm e não é por isso que são menos bonitas. Bem pelo contrário! Tenho um pneu, impossível tirá-lo daqui. Alojou-se de uma tal forma que não o consigo expulsar do meu corpo. Tenho celulite, ao sentar-me é bastante visível, mas o meu namorado adora. As minhas sobrancelhas são completamente diferentes, então quando as arranjo é muito raro ficarem simétricas. Mas mais importante do que encontrar os meus defeitos é importante saber quais são as minhas qualidades. Os defeitos qualquer idiota consegue encontrá-los. Eu aprendi a viver com as coisas menos boas, ou melhor, que menos me agradam em mim e entre toda esta miscelânea de defeitos tenho qualidades ótimas. Que realmente adoro.
Joana Vieira
O Blog da Juca
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